História

Descrição

Paraty, para os índios Guaianás, significa jazida do mar, lagamar, fundo de baia; mas é também o nome de um peixe abundante da região – que pode ser encontrado às margens do rio Perequê-Açú. Ainda hoje os peixes podem ser vistos pulando para fora d’água. Os índios Guaianás eram amigos dos portugueses. Viviam na região entre o Vale do Paraíba e o lindo litoral de Paraty. Passavam o inverno em nossas terras, vinham em busca do sal, dos peixes, como, por exemplo o Paraty, e das areias monazíticas que conheciam o seu valor medicinal. Voltavam por uma antiga trilha que transpunha as altas muralhas da Serra do Mar, atingindo o interior do Brasil.

Foi nesse local que alguns portugueses escolheram para viver e se estabelecer. Eles fundaram um povoado com ligação para o interior do país pelos caminhos das Antas, animal endêmico da Mata Atlântica que para sobreviver em busca de alimentos abriam alamedas criando uma rede de caminhos para se locomover, posteriormente usada pelos índios Guaianás para se movimentarem pelo país.

O povoado cresceu, prosperou em função do porto e do comércio, e se transformou na Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty. A explosão urbana aconteceu no final do século XVII com a descoberta das minas de ouro na região de Ouro Preto, antigamente denomidada Sertão de Cataguases, em Minas Gerais. O rei de Portugal determinou que o caminho oficial para embarcar esse ouro seria pela então trilha dos Guaianás, que passou a se chamar Caminho do Ouro.

O chamado Caminho do Ouro, por onde escoavam as riquezas de Minas Gerais e de São Paulo nos séculos XVIII e XIX, serviu de entrada para os aventureiros em busca de índios para aprisionar e do cobiçado metal, atingindo o interior do país, conquistando terras para a Coroa Portuguesa e levando cultura, usos, costumes, móveis, religião e filosofia à comunidade.

O ouro e as pedras preciosas que enriqueceram os comerciantes e a nobreza de Portugal possibilitou que a Coroa pagasse suas dívidas com a França e principalmente com a Inglaterra, onde esses tesouros serviram de lastro para a revolução industrial.

Além disso, estimulou a transformação da Vila em destacado porto, que por ser bem abrigado numa baía de águas tranquilas, com uma localização estratégica. Isso garantiu que o ouro fosse embarcado e transportado com segurança, por ele, para o Rio de Janeiro; e depois seguindo para a metrópole.

Com muitas casas comerciais e sobrados, desenvolveu-se aqui um estilo colonial diferente, simples, para atender as necessidades do comércio. Por essa razão, há um grande número de portas nas construções. Os armazéns funcionavam na frente da casa e as famílias menos favorecidas viviam nos fundos do estabelecimento. Os mais abastados construíam um segundo pavimento que servia como moradia da família.

Centenas de engenhos e alambiques, que em meados do século XVIII chegaram a 250, também foram construídos para produzir açúcar e aguardente. Esta se tornou famosa pela qualidade, servindo, na época, como moeda de troca na África para a aquisição de escravos enviados para todo o Brasil. Também pela sua fama, o nome Paraty passou a ser sinônimo da bebida.

Com a abertura de novas rotas de comércio e transporte, como a construção da estrada de ferro pelos ingleses ligando São Paulo ao Rio de Janeiro no final do século XIX, o Caminho do Ouro foi abandonado pelos barões do café que buscavam um transporte mais seguro e eficaz para os seus produtos. O porto perdeu sua maior função no ano de 1888. Com a libertação dos escravos, a cidade entra em decadência, ficando isolada e esquecida durante um longo tempo. Esse fato fez com que, casario e cultura de Paraty sofressem poucas modificações, permanecendo preservados até hoje.

Paraty tem um cenário natural deslumbrante. As altas montanhas cobertas pela densa vegetação do Parque Nacional da Serra da Bocaina (Reserva da Biosfera pela Unesco) e o mar de águas verde-esmeralda completam a paisagem cultural com águas tranquilas e temperatura ideal, boa para mergulho, pesca e outros esportes náuticos.

O alto costão rochoso da Serra do Mar, reconhecido como testemunho da ruptura do continente africano há muitas eras glaciais, atinge pontos que a serra quase adentra ao mar, imortalizada na frase do arquiteto Lúcio Costa: “Paraty é a cidade onde o mar e as montanhas se encontram, ou melhor, se entrosam”.

Hoje, Paraty é referência em turismo cultural pelo Ministério do Turismo - Mtur. É o segundo destino dos franceses, dos portugueses e dos italianos no Rio de Janeiro e está prestes a se tornar patrimônio mundial.

Com a abertura da estrada de rodagem BR-101, Rio – Santos, Paraty foi redescoberta e o turismo tornou-se o novo ciclo econômico, responsável por 80% da arrecadação do município.

Fonte
Profº. Amaury Barbosa
Secretário de Turismo e Cultura