Centro Histórico - Cultura e Fé
Ao chegar no Centro Histórico de Paraty, o visitante se depara com a beleza do conjunto arquitetônico, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), repleto de muita história do Brasil e principalmente com a possibilidade de imersão no que há de mais interessante na cultura da Costa Verde do Rio de janeiro.São trinta e um quarteirões de ruas estreitas e calçadas com quatro praças, restaurantes, lojas de artesanato, espaços culturais e muito comércio turístico. O Conjunto Histórico do Centro é formado por oito ruas no sentido norte/sul e sete ruas no sentido leste/oeste.
O calçamento das ruas de Paraty, com pedras irregulares chamadas de “pé de moleque”, data do século XVIII e foi construído de forma a escoar a água da chuva e permitir a invasão do mar nas marés altas, além de facilitar a limpeza da cidade. O calçamento de pedras também facilitava o deslocamento das “mulas”, carregadas com mercadorias e ouro nas indas e vindas até o porto.
A entrada do Centro Histórico, pela Av. Roberto Silveira é marcada pela beleza do Chafariz do Pedreira, construído em mármore no ano de 1851 e inaugurado em 1853 pelo Conselheiro Luiz Pedreira do Couto Ferraz, presidente da província do Rio de Janeiro, que em um copo de ouro bebeu a água do local e pela corrente no início da Rua do Comércio, que impede o trânsito de veículos e marca o mergulho rumo ao passado.
A partir daí, o visitante pode conhecer galerias de arte, ateliês de pintura, lojas de artesanato e lembranças da cidade além de restaurantes e sorveterias.
Cada esquina do Centro Histórico reserva uma surpresa diferente, seja pelas expressões artísticas executadas a céu aberto pelos por artistas locais, seja pela variedade de lojas ou pelos espaços culturais que o Centro dispõe.
Para os visitantes mais preocupados com a cultura e a arquitetura de época, visitar o Centro Histórico de Paraty torna-se uma aventura. Entrar em cada rua, entender as formas e observar a dinâmica das edificações é um desafio facilmente transposto com guias impressos ou com a contratação de guias locais.
As igrejas são um diferencial que marca o período de construção da cidade. Cada uma delas possui história e estilo particular. Estar no Centro Histórico e não visitar as principais igrejas é quase um pecado.
Partindo da Rua do Comércio, virando à esquerda, chega-se a Praça da Matriz, onde se avista a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, cuja construção começou em 1787 e só terminou em 08 de setembro de 1873, 86 anos depois. Sua construção sucedeu outros dois templos religiosos construídos no mesmo local, sendo o primeiro datado de 1646 e o segundo de 1668. No seu interior pode-se observar imagens religiosas como as de São Roque, que é considerada a mais antiga, a de São Miguel das Almas, a de São Francisco, a do Senhor dos Passos, a de Nossa Senhora das Dores e a do Sagrado Coração de Jesus entre outras, todas datadas dos séculos XVII, XVIII e XIX. No altar-mor está a Padroeira Nossa Senhora dos Remédios, ladeada pelos seus pais, Sant’Ana e São Joaquim.
Próximo à entrada, no lado esquerdo, localiza-se o batistério com a pia batismal em mármore. Partindo da Igreja da Matriz pela Rua da Capela, encontra-se a Capela de Nossa Senhora das Dores, construção cuja fachada apresenta características que remontam ao século XVIII, mais precisamente 1800. O redondilhado da sacada interna e o cemitério em estilo columbário que circunda o pátio interno são características que merecem atenção.
Retomando o passeio rumo à Rua do Comércio, logo no número 25, pode-se apreciar o prédio da Câmara Municipal, que um dia serviu de armazém e moradia e hoje abriga a câmara de vereadores, tem características comuns aos sobrados da cidade.
No salão nobre é possível conhecer as "varas de vereança", bastões conduzidos pelas autoridades nas ocasiões festivas e solenes; os sofás da antiga loja maçônica, o dossel sobre a mesa presidencial e cópias das antigas cadeiras e da tribuna.
Mais adiante, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário se apresenta como a igreja construída para os negros e escravos cujo início de construção data de 1728. Possui altares de São Benedito e São João Batista e a mais importante talha das Igrejas de Paraty. Única em Paraty com altares dourados. Originalmente uma de suas torres ao lado pertencia a Câmara Municipal, de onde o povo era convocado para ouvir a leitura dos editais e proclames ou avisado de desastres, invasões, entre outros.
Caminhando em direção ao mar, do lado direto, no Largo de Santa Rita, o visitante observa a Igreja de Santa Rita, construída em 1722, em arquitetura jesuítica com características barroco-rococó. Igreja mais antiga de Paraty e cartão postal da cidade, possui belos detalhes trabalhados no gradil, portas e altares, além de ter sua fachada voltada para o mar. Ao lado da Igreja fica o cemitério da irmandade em estilo columbário, construído no século XIX e um poço de água transparente, que muitos acreditam ser milagrosa.
Nela pode-se visitar ainda o Museu de Arte Sacra. Ao lado da igreja encontra-se a Casa da Cadeia, arquitetura militar e fazia parte do quartel da Fortaleza da Patitiba, funcionando como cadeia. Possuia 2 celas para brancos, 2 para negros e local para depósito de armas e munições, e que hoje, abriga a Biblioteca Municipal e a sede do Instituto Histórico e Artístico de Paraty, responsável por administrar todo o patrimônio da cidade.
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